sexta-feira, 26 de setembro de 2008

1.987.112.720.080.902

Somos números, e não podemos negar. Muitos acham que é apenas o número do RG ou mesmo do CPF, mas tudo em nossas vidas são algarismos. Vejamos.
Tudo começa quando mamãe engravida. Ela fala pra alguém, que pergunta quanto tempo de namoro, ou de casamento tem com o rapaz. Logo após a descoberta, vem a primeira consulta com o ginecologista para descobrir quantas semanas de vida tem o feto, ou dois ainda não se sabe. Terminada a consulta mamãe segue suas semanas em contagem regressiva para o nascimento do bebê, que dependendo, a mãe vai a uma numeróloga saber qual é o número da sorte da criança e que nome deve dar ao rebento.
Pronto! Rompe-se a bolsa. Hora de ir pro hospital, mas não pode esquecer jamais o número da carteira de saúde e da identidade, porque sem eles o bebê nasce na rua.
Enfim nasceu... Mais um número, ou melhor, mais vários números, porque agora sim vai começar a batalha. Números do quarto, a que horas nasceu, quantos médicos foram necessários para a realização do parto, quantos quilos, qual altura... E ai, já registrou?
Passado algum tempo a criancinha já esta na hora de fazer seu RG, e junto com ele vem de brinde um número enorme que vão te cobrar pro resto da vida. Conselho de amiga é melhor decorar. Agora que já está grandinho vamos saber que número veste e calça pra titia poder mandar aquele presente no seu aniversário. Qual o número da sua casa? E o CEP? Hein?
Escola... Agora sim vou descobrir os números, a matemática... Tolinho, eles já te perseguem desde que você era espermatozóide, vai complicar isso sim. Nota daqui, número de matricula acolá, série de outro lado e eis que surge a época de namorar. Mas, calmo ai, você só tem 13 anos! Malditos números que me denunciam.
O tempo passa e é preciso ser feito CPF, título de eleitor, carteira de trabalho, passaporte, cartão do transporte coletivo da cidade... E mais números pra ficar guardadinhos na sua memória, porque querendo ou não, estes são solicitados tantas vezes que você acaba gravando inconscientemente. E não ouse fazer faculdade relacionada à matemática ou física, porque aí sim a tendência a enlouquecer é maior e mais rápida. Só as formulas exigidas me deixam letárgica.
Hoje, nós somos um número a ser decodificado. Uma data de aniversário, acompanhado do semestre da faculdade, do valor da mensalidade, do número da matrícula, do RG, CPF, PIS, CEP, da quantidade de amigos que se tem, dos namorados que já teve, dos quilos que sustenta e da altura que possui. Fora o valor do salário, do número de inscrição do concurso, da placa do carro, das contas o fim do mês, das inúmeras senhas; de banco, emails, internet, celular... Enfim, são números atrás de números que se parar para analisar com certeza explode.
E por fim, (mas não o fim deles) não podemos esquecer é claro das datas, afinal pode ser aniversário de alguém muito importante e não lembrar é de extrema deselegância. Não acha?

Crônica escrita em 02 de setembro de 2008

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