sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Plantação informal é sustento de muitos no interior da Bahia.

Quintais nos fundos das casas ajudam na renda familiar e na preservação do meio ambiente.


Por residir no interior da Bahia e ter sempre interesse em agricultura familiar e nos sistemas agroflorestais, o mestre em ciências agrárias pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) Aurélio Carvalho, realizou uma pesquisa no ano de 2004 sobre a segurança alimentar dos quintais da cidade de Amargosa. Visando conhecer melhor a vida dessas pessoas que possuem quintais no fundo das suas casas, o pesquisador visitou alguns terrenos da cidade para analisar a diversidade dos mesmos e como estes influenciam na vida econômica dos agricultores.
Por ainda “sobrar” terra nos fundos de suas casas, os pequenos agricultores aproveitam o espaço para plantar diversas espécies alimentícias. Dentre estas, as mais comuns são cacau, laranja, fruta pão, jenipapo, aipim e banana. Embora tenham sido encontradas mais de 90 espécies ao longo da pesquisa. Além da plantação de frutas e verduras para o consumo da própria família, o excedente é comercializado visando ajuda no sustento da mesma, há presente também nesses quintais animais, plantas medicinais e ornamentais. Melhorando assim o ambiente familiar, tornando-o mais bonito e de lazer para as crianças.
O pesquisador revela que os quintais não são unicamente importantes para o sustento alimentício e econômico da família, mas também para a posteridade. “Os quintais não servem apenas para o consumo, mas igualmente para conservação do solo, guarda de espécies e variedades de valor genético, melhoria das temperaturas no entorno das moradias, medicina popular e lazer. Além da preocupação com o meio ambiente, pois muitos desses quintais são próximos a rios, então possibilita a recuperação de áreas degradadas.”
O proprietário rural José de Andrade Damasceno, residente em Amargosa, afirma que o seu terreno ajuda bastante na economia familiar. Chegando ao ponto de ter funcionários no seu quintal para ajudar nos trabalhos de plantação e colheita. “Tudo que plantamos aqui a gente consome e vende também. Chego a economizar cem reais por mês, com o que eu deixo de comprar em feira e vendo cerca de oitocentos a mil reais por mês. O que eu tenho no meu quintal, se pode ver em muitos outros, como cacau, limão, abacate, laranja, maracujá, lima, abóbora, pimenta do reino, aipim, banana e fruta pão. Além dos animais como porco, galinha e vaca. Porém os animais nem sempre são comercializados, são mais para consumo doméstico.”
Ao contrário do que muitos pensam os animais junto aos quintais só tem a acrescentar. De acordo com o engenheiro agrônomo Everton Hilo, a presença de animais ajuda no desenvolvimento dos quintais agroflorestais. “Os animais se alimentam dessas frutas e verduras e transformam as fezes dos alimentos consumidos no quintal em matéria orgânica. São as fezes desses animais que voltam ao ciclo. Portanto há sim, uma interação muito favorável entre animal e planta.”
Os resultados da pesquisa revelam que o que difere o quintal agroflorestal dos outros sistemas de produção é a grande diversidade de espécies encontradas em cada um deles. É o beneficio posterior que cada quintal garante as respectivas famílias. O uso quase inexistente de uma mão de obra paga, pois, por serem os quintais em seus próprios terrenos, é o grupo familiar que faz todo o serviço, dispensando assim qualquer trabalho terceirizado. (Salvo algumas restrições). Tornando-se, uma fonte de renda complementar para a grande maioria das famílias do interior da Bahia.

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