sexta-feira, 27 de março de 2009

O limiar da amizade começa aqui


Na hora do desespero a gente clama por um monte de gente. Inúteis. Inúteis gritos, inúteis nomes, inúteis sentimentos, inúteis pessoas.
Há tempos venho pensando o que de fato vem a ser uma boa e real amizade. Pensando sozinha e tirando minhas conclusões pouco precipitadas, achei melhor calar e ouvir opiniões alheias. Me decepcionei.
A minha concepção de vida, embora ainda seja jovem pra achar que a vida já me deu grandes lições, amizade é algo conquistado com o tempo. Tempo esse que faz daquela companhia algo muito mais do que um simples prazer de estar junto. Vai além das fronteiras imagináveis.
Amizade é você confiar aquilo de mais precioso que te pertence (seja emocional ou material) a alguém que tens certeza que jamais te abandonará, nem em pensamento.
Há coisas na vida que não dividimos nem mesmo com o travesseiro, há outras em que se espalha pros quatro ventos. O limite entre essas “duas coisas” parte do que você julga importante e interessante pra si e para o outro, mesmo que esse outro seja seu “amigo”.
Amizade é algo que não se inclui naquela frase: esse é amigo pra vida toda, amigo de verdade. Amizade É verdadeira E eterna. Se de fato for amizade.
Pessoas comuns como eu, se iludem por toda a vida (se não boa parte dela) achando que tem amigos. Podem sim, ter. Porém toda essa amizade não vai muito além de meia dúzia de pessoas, que o alheio insiste em chamar de coleguismo. Não digo aqueles de algazarra, os famosos amigos de bar. Esses atendem pelo nome de bando.
Os que te faze rir até no momento de desespero. São seus companheiros, ou melhor, sua galera que ironicamente denominamos “meu grupo diário”.
Há ainda aqueles de faculdade que te acompanham arduamente por alguns anos de sua vida, te levantando na hora dos zeros, e talvez te passando a perna na hora da seleção de emprego. Equipe.
Mas os amigos mesmo, aqueles que de fato são pra vida toda, não se importam com a distância. Metros, decâmetros, hectômetros e quilômetros servem mesmo é pra bater saudade vez em quando e ligar pra dizer sem medo eu te amo. Não, isso nunca foi marca de biscoito. Enganado e solitário é aquele que hesita antes de proferir tamanha sutileza. Amigos mesmo passam anos sem se ver, e quando juntos fazem daquele momento único, talvez um minutinho no ponto do ônibus, um eterno reencontro que certamente vai resultar num belo almoço no próximo final de semana. Amizade mesmo pode ser de infância, juventude, adolescência, fase adulta, ou seja lá a idade que se tem. Você sente quando aquela pessoa é pra vida toda.
E não é um convite pro casamento que vai te dizer quem são seus amigos não. É na hora que volta de viagem cheinho de história pra contar que você conhece seus irmãos de vida. Por que sem um tostão no bolso, ele foi e voltou sem nada pra você, mas não te tirou do pensamento da hora que saiu até a hora que voltou. No desespero ele pensou que você quebraria esse galhão, e na hora do rappel, queria você ali, bem juntinho pra se divertir e terem juntos a mesma história pra contar.
E vão, por que mesmo distante a sintonia é tão grande que a quilometragem é ínfima perto de tamanha grandeza de sentimentos.
Não é somente na hora da necessidade que se descobre quem são os amigos, na hora das supostas alegrias também.
Individualismo é algo que de fato não combina com amizade, discussão às vezes, compreensão sempre.