sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Resenha do filme Quanto vale ou é por quilo?

Sérgio Luís Bianchi estudou cinema em Curitiba e posteriormente em São Paulo, onde se formou na Escola de Comunicação e Artes da USP. Em 1979, estreou seu primeiro longa-metragem: Maldita Coincidência. O filme é uma experiência cinematográfica de baixo-orçamento. Em 1982, Bianchi realiza o filme que lhe daria maior credibilidade no meio cinematográfico: Mato Eles? Ganhador do prêmio de melhor direção no Festival de Gramado e do Grande Prêmio do Festival de Cinema da Cidade do México, em 1985. Em 1999, foi lançado o seu filme mais conhecido, Cronicamente Inviável. Finalmente, em 2004, dirigiu Quanto vale ou é por quilo? Em novembro de 2006, o cineasta retornou à sua cidade natal, onde foi homenageado com uma Mostra de seus filmes, pela primeira vez exibidos ao público conterrâneo.
Um filme que retrata a semelhança de duas épocas distintas, do século XVIII e XXI, onde a violência, corrupção e a diferença social estão presentes em todo o filme, independente do século. “Mostra que o tempo passa e nada muda. O Brasil é um país em permanente crise de valores” (Filme Quanto vale ou é por quilo?). No inicio do filme uma foto é tirada de Joana (Zezé Mota) ex-escrava em companhia dos seus atuais “pertences”. No século XXI uma representante de ONG tira uma foto semelhante, desta vez em companhia de crianças que irão ajudar-llhe na sua promoção na sociedade. A exploração do negro continua, contudo o mesmo passa a ser supostamente pago, porém ainda é “vendido” como objeto de valor na sociedade. Uma forte apelação em cima de imagens das crianças sempre sorrindo e concluído as cenas através de propagandas das ONGS, além da disputa de territórios das mesmas em vias públicas. Uma competição.
Usa-se da fragilidade humana para realizar trabalhos das associações. Cada criança corresponde a cinco novos empregos, o que fica claro que certas organizações não governamentais têm como objetivo o lucro financeiro e não a ajuda social como parece ser. No filme em determinadas situações, o seqüestro não é só captação de recursos, mas também uma redistribuição de renda. Fazendo deste crime uma constante e até uma possível “empresa”.
Pessoas que ao ficarem desempregadas e desesperadas, se tornam “autônomos”. Os extintos capitães do mato do século XVIII são os matadores de aluguel do terceiro milênio, são serviços terceirizados. Este filme faz uma critica ao terceiro setor, alertando aos cidadãos não dar esmola nas ruas e sim doar o dinheiro para Instituições carentes, destacar umas das ONGS “Doar é um instrumento de poder, traz felicidade e um alívio na sua conscientização”.
Um filme que retrata a realidade brasileira de uma forma fria e cruel, onde o terceiro setor aparece como uma fábrica de criar dinheiro. Seus representantes utilizam a miséria como imagem de exibição e promoção das suas ONGS e de suas supostas responsabilidades sociais.
A todo tempo fazendo comparativo entre o passado e o presente, que ainda é homogêneo. Mostrando desta forma a violência como o negro e o pobre foram e ainda são tratados de forma desigual e as enormes diferenças sociais que ainda aflige a massa brasileira. Sendo que o filme não mostra a cidadania que é a inclusão dos direitos das crianças e dos adolescentes com respeito aos Direitos Humanos, direito de brincar, se alimentar, estudar, transmiti situações geradoras de sofrimentos, violência, exclusão e interesses sociais.









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