
Por saber o que os alunos, pais e funcionários do colégio Marista de Salvador estão passando há uma semana, eu ex-estudante do colégio Salesiano da mesma cidade, (ambos embasados na mesma filosofia educativa) estou aqui como porta voz indignada da situação.
Uma instituição de 102 anos de vida, com tradição mundial não tem o direito nem o dever de cometer uma falta de respeito deste nível com pais, alunos e funcionários. Um patrimônio da cidade não pode ser vendido assim, sem mais nem menos. Um comunicado sequer foi feito. E aos alunos? Só restaram as lágrimas, de saber que no ano seguinte não mais estudarão com a mesma equipe pedagógica nem mesmo com seus queridos amigos de infância. Judiação? Talvez. Acho melhor perguntar ao Bento, é a pessoa mais apropriada a responder tamanho absurdo.
Superproduções são realizadas ao longo dos anos. E eis que surge o tão maravilhoso Marista Patamares. Glamoroso, bem estruturado, grandioso e por que não bem localizado? Inúmeros alunos migraram pra lá. Muitas mensalidades estão ali, na construção de uma nova propriedade religiosa. Mas...a instituição é filantrópica, portanto sem fins lucrativos certo? Errado. Erradíssimo meu caro. Quanto mais tiver o nome da igreja na frente, mais ganância por verba e por bens materiais eles terão. Não é à toa, que há especulações pela cidade de que o prédio foi vendido a uma construtora por nada menos que 100 milhões de reais? Muito? Pra mim e pra você, pobres mortais. Pra Ela, quanto mais, melhor. Muito melhor.
Pais, funcionários e alunos se desesperam e ao mesmo tempo correm atrás de um prejuízo não causado por eles. Promovem passeatas, discussões e até mesmo uma paralisação. Tudo pra tentar atrasar e se possível embargar o processo de compra e venda do colégio. E você caro leitor, nada tem haver com essa circunstância, nunca nem ouviu falar desta negociação e nem pensa em ter filho, vai parar e pensar em me perguntar: o que eu tenho com isso? Nada. Aparentemente nada. É só mais um dos altos e baixos desta cidade e de suas instituições particulares. Pois bem. Vejamos, não é só isso.
Eu, entre tantas outras pessoas não ligadas diretamente a este acaso, fico indignada de ver como a situação foi posta aos demais interessados. Eu, como tantos outros, ex-estudantes e atuais, de escolas religiosas particulares deste país, estão se colocando na mesma posição de revolta destes jovens que terão sua vida escolar interrompida por vontade imprópria. Pensam em tudo que viveram, descobriram e aprenderam naquele local. Nas amizades eternas, nos momentos únicos passados naquela instituição. Nos mestres e educadores que levaram por toda a vida. Pensam num futuro não tão distante, quando já pais, proporcionar aos seus filhos o que lhes foi proporcionado. E vê que não mais poderão fazer. Pois sua segunda casa esta no chão. Demolida por mãos grossas e ásperas, por corações frios, por mentes estúpidas e gananciosas.
Lagrimas ameaçam cair. Não tanto pelos outros, mas por mim. Posso até estar sendo egoísta, mas penso que, se o Colégio Marista de Salvador esta tendo este triste fim, qual será o futuro do Salesiano e de tantos outros investidores de novas construções? Com o Dom Bosco na Paralela, hoje o Salesiano Nazaré está entregue à boa vontade divina. E como ficam as minhas memórias, os reencontros casuais, os shows de boas vindas de ano letivo, as visitas fora de hora, só pra lembrar que o vento no fim da tarde é único e o pôr do sol visto da piscina é maravilhoso? Hein?
Você que esta fora deste âmbito pode até não entender, mas tenho convicta certeza de muitas pessoas espalhadas por este mundo, que tiveram os principais ensinamentos de vida num espaço onde mais parece a nossa casa, estão indignadas, solidarias e tristes. Pois um lar de verdade nunca é abandonado por seus filhos por vontade própria.
Crônica escrita em 10 de outuro de 2008
Uma instituição de 102 anos de vida, com tradição mundial não tem o direito nem o dever de cometer uma falta de respeito deste nível com pais, alunos e funcionários. Um patrimônio da cidade não pode ser vendido assim, sem mais nem menos. Um comunicado sequer foi feito. E aos alunos? Só restaram as lágrimas, de saber que no ano seguinte não mais estudarão com a mesma equipe pedagógica nem mesmo com seus queridos amigos de infância. Judiação? Talvez. Acho melhor perguntar ao Bento, é a pessoa mais apropriada a responder tamanho absurdo.
Superproduções são realizadas ao longo dos anos. E eis que surge o tão maravilhoso Marista Patamares. Glamoroso, bem estruturado, grandioso e por que não bem localizado? Inúmeros alunos migraram pra lá. Muitas mensalidades estão ali, na construção de uma nova propriedade religiosa. Mas...a instituição é filantrópica, portanto sem fins lucrativos certo? Errado. Erradíssimo meu caro. Quanto mais tiver o nome da igreja na frente, mais ganância por verba e por bens materiais eles terão. Não é à toa, que há especulações pela cidade de que o prédio foi vendido a uma construtora por nada menos que 100 milhões de reais? Muito? Pra mim e pra você, pobres mortais. Pra Ela, quanto mais, melhor. Muito melhor.
Pais, funcionários e alunos se desesperam e ao mesmo tempo correm atrás de um prejuízo não causado por eles. Promovem passeatas, discussões e até mesmo uma paralisação. Tudo pra tentar atrasar e se possível embargar o processo de compra e venda do colégio. E você caro leitor, nada tem haver com essa circunstância, nunca nem ouviu falar desta negociação e nem pensa em ter filho, vai parar e pensar em me perguntar: o que eu tenho com isso? Nada. Aparentemente nada. É só mais um dos altos e baixos desta cidade e de suas instituições particulares. Pois bem. Vejamos, não é só isso.
Eu, entre tantas outras pessoas não ligadas diretamente a este acaso, fico indignada de ver como a situação foi posta aos demais interessados. Eu, como tantos outros, ex-estudantes e atuais, de escolas religiosas particulares deste país, estão se colocando na mesma posição de revolta destes jovens que terão sua vida escolar interrompida por vontade imprópria. Pensam em tudo que viveram, descobriram e aprenderam naquele local. Nas amizades eternas, nos momentos únicos passados naquela instituição. Nos mestres e educadores que levaram por toda a vida. Pensam num futuro não tão distante, quando já pais, proporcionar aos seus filhos o que lhes foi proporcionado. E vê que não mais poderão fazer. Pois sua segunda casa esta no chão. Demolida por mãos grossas e ásperas, por corações frios, por mentes estúpidas e gananciosas.
Lagrimas ameaçam cair. Não tanto pelos outros, mas por mim. Posso até estar sendo egoísta, mas penso que, se o Colégio Marista de Salvador esta tendo este triste fim, qual será o futuro do Salesiano e de tantos outros investidores de novas construções? Com o Dom Bosco na Paralela, hoje o Salesiano Nazaré está entregue à boa vontade divina. E como ficam as minhas memórias, os reencontros casuais, os shows de boas vindas de ano letivo, as visitas fora de hora, só pra lembrar que o vento no fim da tarde é único e o pôr do sol visto da piscina é maravilhoso? Hein?
Você que esta fora deste âmbito pode até não entender, mas tenho convicta certeza de muitas pessoas espalhadas por este mundo, que tiveram os principais ensinamentos de vida num espaço onde mais parece a nossa casa, estão indignadas, solidarias e tristes. Pois um lar de verdade nunca é abandonado por seus filhos por vontade própria.
Crônica escrita em 10 de outuro de 2008
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