segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Um presente pra vocês


Um fato, um raro, um caso. Um acaso por assim dizer. Assim somos eu e você. Uma necessidade contínua de ver, de ouvir e falar. De talvez querer sentir e também o não sentir. E não poder. Um vício de linguagem, um mal dormir sem tamanho. Uma forma diferente das costumeiras, uma música não tão sonora aos meus ouvidos. Um momento clichê. Para mim e pra você. A tentativa não é rimar, nem ao menos tentar conquistar. Desta vez, as palavras são para os outros, tantos curiosos de plantão que precisam do alheio. Do mundo, a fundo. Dos anseios e desventuras. Do ópio ao conforto. E porque não confronto? A curiosidade humana faz com que os sete pecados capitais miseravelmente se tornem virtudes. Virtudes vãs, frias, áridas e profundas. A necessidade do infortúnio é maior e melhor do que os ensinamentos divinos. A alegria alheia incomoda. Cobras e aranhas se arrastam e afastam ao mesmo tempo em que se tenta ser feliz. O dinheiro corrompe. A ganância é má. E a fé é falida. Assim como eu, você e tantos outros míseros humanos que se julgam importantes para o nada. O que é a sua vida para os outros, se não um copo de água fria na hora da sede? Um preservativo na hora do sexo? Depois do útil nem sempre vem o agradável. Uma novela...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Loira sim. Burra jamais


Eu fico indignada com essas pessoas que partem do pressuposto, que até hoje eu não sei de onde vem que toda loira é burra, ou a grande maioria delas. Vamos lá, quem começou com essa história? No mínimo um cara que acabou de levar um belo fora de uma loira espetacular, ou uma morena sem graça que não tendo criatividade suficiente para humilhar sua semelhante, criou tamanho absurdo que perdura até hoje.
Façamos um exercício de memória, puxado, mas vai valer a pena. Garanto. Tente lembra-se de uma única loira, famosa, (claro, nenhuma particular, não faz sentido) que tenha cometido um ato de extrema burrice? Não! Sei que você acabou de pensar na famigerada entrevista de Carla Perez no programa do Jô. Certo, mas alguém algum dia já te mostrou essa entrevista? Não, com certeza não. Então, continue no seu exercício. Pensou? Achou? Então vou tentar te ajudar. Comecemos pelas loiras internacionais.
Princesa Diana, Madonna, Hilary Clinton, Marilyn Monroe, Evita Perón e Margareth Thatcher (entre tantas outras loiras maravilhosas da história mundial) alguma delas já fez alguma burrice excepcional? Não, claro que não. A primeira casou-se com o príncipe inglês. Madonna começou cantando, passou para o mundo da atuação, embora não tenha sido muito bem sucedida, e está até hoje fazendo um sucesso absurdo com seu talento musical indiscutível. Hilary que um dia apareceu como coadjuvante na presidência dos EUA, hoje briga por pontos para a presidência do mesmo. Marilyn foi uma das mais famosas estrelas de cinema de todos os tempos, um símbolo de sensualidade e um ícone de popularidade do séc. XX. Margareth casou-se com um alto executivo da indústria petrolífera, além de ter sido a primeira mulher britânica a ocupar o cargo de primeiro ministro. E por fim ela Evita Perón, que ainda jovem tornou-se atriz. Foi primeira dama argentina e também líder política.
Satisfeito? Então vamos agora com as nacionais, contudo não menos inteligentes e perspicazes que as outras. Porém antes lhe peço que esqueça atos envolvidos em romances ou até mesmo em festas populares, não vale julgar uma pessoa por pequenos erros cometidos em momentos de paixão. Iniciaremos então com ela, a rainha dos baixinhos. Xuxa, como é conhecida mundialmente, estreou na vida popular aos 16 anos como modelo, mas ganhou notoriedade ao se tornar namorada do célebre jogador de futebol Pelé. A partir daí se tornou apresentadora de programas infantis além de gravar vários CDS e longas metragens. Na mídia até hoje, Xuxa têm um programa familiar aos sábados pela manhã na Rede Globo de televisão.
Vinda de uma família aristocrata paulista, ex-mulher de Eduardo Suplicy, ela, que atende pelo nome de Marta Suplicy foi eleita em 2000, prefeita da cidade de São Paulo e em 2007 assumiu o ministério do turismo.
Dona de uma rede de padarias no Rio de Janeiro, a socialite e empresária Vera Loyola, passou em pouco tempo, de símbolo dos emergentes cariocas para celebridade nacional. Diria até internacional, graças às suas comemorações em homenagem á sua cadela Pepezinha. Adriane Galisteu namorou Airton Senna, era modelo, mas só conseguiu a fama graças a esse namoro promissor. E por fim, mas não o fim das loiras inteligentíssimas do Brasil, Zilda Arns. Formada em medicina, Zilda é coordenadora nacional da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa, ambos organismos de ações sociais. Aos 74 anos já recebeu vários prêmios graças á sua escolha de vida, e em 2006 foi indicada para o prêmio Nobel da Paz.
Agora que já apresentei várias loiras mundiais de renome, me diga qual delas foi burra? Em que momentos de suas vidas estas tiveram atitudes errôneas? Não só elas, mas inúmeras outras loiras de todo o mundo são capazes de atitudes brilhantes. Piadas à parte vamos combinar que em sua grande maioria as loiras além de inteligentes são glamorosas e lindas.
E não importa se por opção ou condição, loiras sim. Burras, jamais!

Crônica escrita em 30 de maio de 2008

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Canetinhas coloridas

Outro dia eu estava indo estudar quando me peguei pensando nessa tal modernidade. Melhor, deixe-me começar do inicio. Eu estava dentro de um ônibus coletivo, indo pra faculdade quando me lembrei que tinha algo muito importante pra falar a uma amiga, logo, saquei o celular da bolsa, digitei algumas palavras e pronto, mensagem enviada com sucesso. Segundos após essa milagrosa operação, me lembrei dos tempos em que eu era criança e não faz tanto tempo assim, (acabo de entrar na casa dos 20), quando íamos eu e mamãe ao shopping ou livraria fazer as compras de início de ano letivo. Era uma festa pra mim, escolher lápis, grafite, borracha, estojo e afins, essas coisas que a maioria das meninas gostam. Chegava em casa ansiosa para o inicio das aulas, só assim eu poderia usufruir de todos aqueles materiais magníficos que acabara de adquirir. Mas quando as aulas demoravam a começar, eu pegava escondido da minha mãe, é claro, todas aquelas quinquilharias, colocava em cima da mesa e desatava a escrever cartinhas para minhas amigas. Conteúdo nenhum, mas só de usar todas as cores das canetas e dos lápis... Era um sonho realizado.
Com o passar do tempo eu fui me desapegando aos lápis e borrachas, mas confesso, ainda tenho verdadeira paixão por canetinhas coloridas. Não faz muito tempo, gastei (pasmem) quase 50 reais em mini canetinhas coloridas de ponta porosa.
Essa modernidade me assusta e me atropela. O computador auxilia, mas ao mesmo tempo afasta. As famigeradas cartas de amor se acabaram. O prático, rápido e moderno é você mandar um e-mail, que por acaso um dia num passado não tão remoto recebeu de alguém. Ou mesmo copiar letras de músicas e mandar via mensagem de celular. É mais romântico e você não passa por velho antiquado. Ligações de feliz aniversário e outras felicitações, já são extintas meu caro, ninguém tem mais tempo pra isso não. E lá vamos nós com mais mensagens via celular. Um dia as redes de transmissão vão falhar, e a culpa vai ser das pobres operadoras. Tadinhas.
E o que é esse tal orkut? Veio com a finalidade de? Ainda não descobri, e quem o fizer favor me avisar ok?!
Já ia me esquecendo. Ainda criança, quando assistia à novelas e via aqueles homens apaixonados fazendo serenata para suas amadas, eu sonhava que um belo rapaz um dia faria o mesmo pra mim. Sonho, apenas sonho. Se nem carta eu recebo mais, serenata então é o cumulo do absurdo. Em pleno século XXI minha filha, acorda pra vida.
Ainda dentro do coletivo lembrei do quase extinto telegrama. Em um dos meus aniversários recebi um. A felicidade foi tamanha, que até hoje tenho guardado. Único, em toda a minha existência.
A viagem chegara ao fim, e eu ia rumo à sala de aula, que não por acaso, é um vão repleto de computadores, nos quais, sentaremos à frente e faremos editorações gráficas por toda a noite.
No mesmo dia ao chegar em casa, redigi um cartão de feliz aniversário pra uma amiga, (sou antiquada e não aceito muito todas essas modernidades não) e acabei por fazê-lo todo digitado. A desculpa? Minha letra é feia, de difícil compreensão.
É por essas e outras que eu ainda prefiro as minhas belas e velhas canetinhas coloridas. Mesmo com minha letra feia eu me realizo e faço com que os outros a percebam em minhas palavras.

Crônica escrita em 05 de maio de 2008

Revolta Santa


Por saber o que os alunos, pais e funcionários do colégio Marista de Salvador estão passando há uma semana, eu ex-estudante do colégio Salesiano da mesma cidade, (ambos embasados na mesma filosofia educativa) estou aqui como porta voz indignada da situação.
Uma instituição de 102 anos de vida, com tradição mundial não tem o direito nem o dever de cometer uma falta de respeito deste nível com pais, alunos e funcionários. Um patrimônio da cidade não pode ser vendido assim, sem mais nem menos. Um comunicado sequer foi feito. E aos alunos? Só restaram as lágrimas, de saber que no ano seguinte não mais estudarão com a mesma equipe pedagógica nem mesmo com seus queridos amigos de infância. Judiação? Talvez. Acho melhor perguntar ao Bento, é a pessoa mais apropriada a responder tamanho absurdo.
Superproduções são realizadas ao longo dos anos. E eis que surge o tão maravilhoso Marista Patamares. Glamoroso, bem estruturado, grandioso e por que não bem localizado? Inúmeros alunos migraram pra lá. Muitas mensalidades estão ali, na construção de uma nova propriedade religiosa. Mas...a instituição é filantrópica, portanto sem fins lucrativos certo? Errado. Erradíssimo meu caro. Quanto mais tiver o nome da igreja na frente, mais ganância por verba e por bens materiais eles terão. Não é à toa, que há especulações pela cidade de que o prédio foi vendido a uma construtora por nada menos que 100 milhões de reais? Muito? Pra mim e pra você, pobres mortais. Pra Ela, quanto mais, melhor. Muito melhor.
Pais, funcionários e alunos se desesperam e ao mesmo tempo correm atrás de um prejuízo não causado por eles. Promovem passeatas, discussões e até mesmo uma paralisação. Tudo pra tentar atrasar e se possível embargar o processo de compra e venda do colégio. E você caro leitor, nada tem haver com essa circunstância, nunca nem ouviu falar desta negociação e nem pensa em ter filho, vai parar e pensar em me perguntar: o que eu tenho com isso? Nada. Aparentemente nada. É só mais um dos altos e baixos desta cidade e de suas instituições particulares. Pois bem. Vejamos, não é só isso.
Eu, entre tantas outras pessoas não ligadas diretamente a este acaso, fico indignada de ver como a situação foi posta aos demais interessados. Eu, como tantos outros, ex-estudantes e atuais, de escolas religiosas particulares deste país, estão se colocando na mesma posição de revolta destes jovens que terão sua vida escolar interrompida por vontade imprópria. Pensam em tudo que viveram, descobriram e aprenderam naquele local. Nas amizades eternas, nos momentos únicos passados naquela instituição. Nos mestres e educadores que levaram por toda a vida. Pensam num futuro não tão distante, quando já pais, proporcionar aos seus filhos o que lhes foi proporcionado. E vê que não mais poderão fazer. Pois sua segunda casa esta no chão. Demolida por mãos grossas e ásperas, por corações frios, por mentes estúpidas e gananciosas.
Lagrimas ameaçam cair. Não tanto pelos outros, mas por mim. Posso até estar sendo egoísta, mas penso que, se o Colégio Marista de Salvador esta tendo este triste fim, qual será o futuro do Salesiano e de tantos outros investidores de novas construções? Com o Dom Bosco na Paralela, hoje o Salesiano Nazaré está entregue à boa vontade divina. E como ficam as minhas memórias, os reencontros casuais, os shows de boas vindas de ano letivo, as visitas fora de hora, só pra lembrar que o vento no fim da tarde é único e o pôr do sol visto da piscina é maravilhoso? Hein?
Você que esta fora deste âmbito pode até não entender, mas tenho convicta certeza de muitas pessoas espalhadas por este mundo, que tiveram os principais ensinamentos de vida num espaço onde mais parece a nossa casa, estão indignadas, solidarias e tristes. Pois um lar de verdade nunca é abandonado por seus filhos por vontade própria.

Crônica escrita em 10 de outuro de 2008