
Um fato, um raro, um caso. Um acaso por assim dizer. Assim somos eu e você. Uma necessidade contínua de ver, de ouvir e falar. De talvez querer sentir e também o não sentir. E não poder. Um vício de linguagem, um mal dormir sem tamanho. Uma forma diferente das costumeiras, uma música não tão sonora aos meus ouvidos. Um momento clichê. Para mim e pra você. A tentativa não é rimar, nem ao menos tentar conquistar. Desta vez, as palavras são para os outros, tantos curiosos de plantão que precisam do alheio. Do mundo, a fundo. Dos anseios e desventuras. Do ópio ao conforto. E porque não confronto? A curiosidade humana faz com que os sete pecados capitais miseravelmente se tornem virtudes. Virtudes vãs, frias, áridas e profundas. A necessidade do infortúnio é maior e melhor do que os ensinamentos divinos. A alegria alheia incomoda. Cobras e aranhas se arrastam e afastam ao mesmo tempo em que se tenta ser feliz. O dinheiro corrompe. A ganância é má. E a fé é falida. Assim como eu, você e tantos outros míseros humanos que se julgam importantes para o nada. O que é a sua vida para os outros, se não um copo de água fria na hora da sede? Um preservativo na hora do sexo? Depois do útil nem sempre vem o agradável. Uma novela...
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